Não sabíamos que, depois deste fim de semana, nenhuma Criatura seria a mesma. Não que nada esperássemos desta viagem, mas ninguém de nós imaginava o quanto ela seria gratificante!
Saímos de Curitiba sexta-feira à noite para chegarmos em Londrina a tempo de curtir uma balada. A viagem foi boa, estrada limpa, dois motoristas revezando (primeiro o Caetano e depois o Bruno), poucas paradas, algumas cervejas, e a trilha sonora que se resumia em uma K7 com Kinks de um lado, e David Bowie do outro, que rodou incansavelmente durante todo o trajeto.
A ida é sempre mais demorada, não sei se porque a quilometragem é maior, ou se nossa ansiedade que é grande, ou se as duas coisas juntas, mas o fato é que não víamos a hora de chegar e tomar uma cerveja bem gelada.
O Rafa era o mais impaciente; a cada dez minutos ele perguntava “Já estamos chegando?” e eu dizia sim, simultaneamente com o Bruno que respondia não, e o Rafa retrucava – “Então pára no próximo posto pra eu comprar mais cerveja” (o Caetano dormindo). Mas o próximo posto não chegava nunca, e somente em Londrina conseguimos matar nossa sede.
Ligamos para o Lucas, nosso recepcionista oficial, para ir nos buscar no posto em Londrina. Em menos de quinze minutos ele chegou, e dali fomos direto para a casa da Cynthia, nossa outra anfitriã especial, pra deixar as bagagens e tomar outras antes de sair pros bares da vida.
A primeira parada foi no Potiguá, um boteco simpático que não tem nada demais – mas o essencial: cerveja gelada, uma mesa de sinuca, um balcão, mesinhas e cadeiras de plástico na calçada. Tomamos uma ou duas cervejas, até o Caetano e o Rafa se darem conta de que ali não tinha nenhuma mulher interessante (além de mim, é claro). Fomos então para o Valentino.
Chegamos lá e tivemos que atravessar uma muvuca fenomenal. O bar estava lotado, havia muitos tipos exóticos e certamente ali seria o lugar ideal para os meninos “se darem bem”, como eles dizem. Doce ilusão a deles... a maioria das garotas só gostava de garotas, e os meninos de meninos, com raras exceções. Eu, o Bruno e o Lucas ficamos sentados em uma mesa perto da porta, o que não foi suficiente para amenizar o calor infernal que fazia ali dentro. Buscar uma cerveja era uma luta ferrenha, uma vez que o bar estava cheio e a aglomeração no balcão era grande. Mesmo assim, bebemos bem, até eu e o Bruno chegarmos à conclusão de que seria melhor voltar pro outro bar, já que era visível serem inúteis as investidas dos rapazes na caça às garotas ideais. Assim, não sem antes enfrentar a desaprovação do Rafa e do Caetano, voltamos para o Potiguá.
RAFA EM RITMO DE AVENTURA!
Poucas pessoas, além de nós, estavam no bar. O Bruno, já entediado, foi pro carro descansar e acabou dormindo. O Rafa e o Caetano sentaram com mais três garotas e eu e o Lucas fomos jogar umas partidas de sinuca (as quais ganhei com grande mérito!). Depois nos juntamos aos rapazes, tomamos cervejas, até o Lucas e o Caetano dormirem na mesa. O Rafa, muito empolgado e com poucos escrúpulos, dava seus tiros no escuro para acertar alguma das três vítimas que ali estavam. Eu, longe de estar sóbria, e nem um pouco afim de continuar a noite, acordei os dorminhocos para irmos embora, deixando o Rafa à mercê de seu destino incerto. Isso às seis horas da matina.
VAI TRANSAR OU FAZER XIXI?
Dia de show. Muita expectativa. Passagem de som feita, tudo nos trinques. O Rodrigo Cheiroso, muito pomposo, pegou uma carona com a gente pra ir se arrumar. Foi quando o Lucas perguntou pra ele: "E aí, Rodrigo, vai transar hoje ou só vai fazer xixi?" E a gente, sem nada entender e achando pouca graça daquilo, ficou curioso. Que espécie de pergunta imbecil era aquela? Mas tudo foi esclarecido. Para eles, ou você transa – sai e ‘come’ uma garota – ou faz xixi, usa seu pau apenas para esta mera necessidade fisiológica. O Rodrigo respondeu: “Ah, hoje eu vou transar”, e depois... “Pensando bem, acho que só vou fazer xixi”. Dele eu não sei... só sei que, fora eu e o Bruno (a turma do xixi), os outros transaram. Aliás, achamos a expressão genial. E você? Vai transar ou vai só fazer xixi?
Os shows foram ótimos. Os Substitutes abriram a noite e arrebentaram. Um show rápido, conciso e perfeito, de deixar qualquer um de queixo caído. Eles finalmente se renderam aos pedidos e, para delírio dos fãs, tocaram também duas músicas do Cherry Bomb (a mesma banda, mas com composições em inglês e já consagradas por todos nós).
Entramos em seguida e ficamos muito emocionados. Acho que porque fomos pegos de surpresa pelo público. A galera sabia e cantava todas as músicas de cabo a rabo, faziam pedidos, dançavam, gritavam, me davam conhaque... Ah! Se dependesse da gente, não sairíamos de lá tão cedo. Mas a Babylon Shots, outra ótima banda londrinense, aguardava para fechar a noite em grande estilo. Foi uma festa e tanto.
Do Vitória Café direto para o Potiguá, tivemos a oportunidade de desfrutar da companhia de muitos amigos até o dia amanhecer nublado. Depois de muitas outras cervejas, tombos cinematográficos, etc. (ai, este “etc.”), fomos tomar café na feira, comer pastel e coxinha, para depois nos amontoarmos no aconchegante apartamento do Lucas, graaande Lucas, o que seria de nós sem o Lucas?
Londrina, talvez por ser uma cidade interiorana, tem a receptividade e a simpatia que falta em Curitiba. Mas o que eles mostraram ali foi que a gente, da capital, se preocupa muito mais com forjar do que realmente formar uma cena e fazer parte dela. Eles provaram que é possível ter uma banda de rock e ser muito bem recompensado por isso.
Odeio desmerecer minha cidade, mas sinceramente, nessas horas, eu gostaria de só tocar em Londrina! Afinal, tocar, transar ou fazer xixi... todas essas as coisas me parecem ser bem melhores por lá. Mas enfim... tomara que eu esteja enganada.
Para finalizar, gostaria de agradecer ao Steven e ao Berbel que foram os agentes responsáveis por nossa ida, bem como aos donos do Vitória Café, embora tenham nos acusado injustamente de termos acionado o extintor de incêndio do banheiro masculino (sendo que o responsável por isso já tinha sido identificado, apanhado dos seguranças, limpado o banheiro e tudo mais...) e finalmente, agradecemos aos amigos e ao público, enfim, a todos que fizeram daquela noite um dos melhores shows de nossa vida!












